Lapa vai ao mundo
Amanda Oliva representou o Brasil no Mundial de Wushu Sanda na China
- Categoria: Noticias A Tribuna Regional
- Publicação: 13/04/2026 20:22
- Autor: https://tribunaregionaldalapa.com.br/2026/04/13/lapa-vai-ao-mundo-amanda-oliva-representou-o-brasil-no-mundial-de-wushu-sanda-na-china/
A lapeana de 16 anos foi convocada para a Seleção Brasileira após título sul-americano em Buenos Aires — e a viagem ao Campeonato Mundial em Tianjin só foi possível com apoio decisivo da Sanepar, da Prefeitura da Lapa e de colaboradores locais
A Lapa esteve, nas últimas semanas, do outro lado do mundo. Amanda Oliva, de 16 anos, embarcou para Tianjin, na China, como atleta convocada pela Seleção Brasileira para disputar o Campeonato Mundial de Wushu Sanda — a modalidade conhecida como boxe chinês —, tornando-se a primeira atleta da cidade a chegar a esse nível de competição. Ela não subiu ao pódio. Mas o que ela fez para chegar lá já muda o tamanho do esporte na região.
A convocação não veio de um convite. Veio de uma luta. Campeã sul-americana na categoria juvenil até 56 kg, conquistada em Buenos Aires após três rounds disputados, Amanda garantiu a vaga e foi acionada formalmente pela Confederação Brasileira de Kung Fu Wushu. Ali só entram os que se classificam. Não há turistas num campeonato desse porte.
“Foi a realização de um sonho que eu não consegui como atleta”, disse o treinador Joelson Brandenburg, o Pará, dono da Academia Corpo em Ação, onde Amanda treina desde os 13 anos. “Eu comecei a construir esse sonho com ela desde o começo. Ver ela lá, nos bastidores, aquecendo entre as melhores do mundo… foi louco.”
Para o Pará, que nunca chegou a um Mundial como competidor, a experiência foi também pessoal. Ele esteve junto no chaveamento, no congresso de doping, nos bastidores da competição. “Expandiu minha mente”, resumiu. “Vi as coisas de um jeito muito mais profissional.”
O que custou chegar lá
A história poderia ter terminado antes do embarque. Os custos para participar do Mundial — passagens internacionais, hospedagem, inscrição e logística — somaram cerca de R$ 45 mil. Sem patrocínio, não havia viagem.
A Sanepar entrou como patrocinadora máster. O apoio foi viabilizado pelo presidente estadual da empresa, Wilson Bley Lipski — lapeano, e figura que o próprio treinador fez questão de nomear. A Prefeitura Municipal da Lapa criou, em regime de urgência, uma bolsa atleta de alcance internacional — aprovada pelos vereadores e encampada pelo prefeito Diego Ribas e pelo chefe da Casa Civil, Luiz Cordeiro. Colaboradores da iniciativa privada completaram o conjunto.
“Eles fizeram a coisa acontecer”, disse o Pará sobre os patrocinadores. “Eu, na minha história como atleta, sempre fui do meu bolso. Nesse evento, a gente não teve preocupação nenhuma com o financeiro. Sem eles, não teríamos conseguido.”
A China, o nervosismo e o que fica
O trajeto até Tianjin levou cerca de 18 horas de voo, com conexões em Zurique e Xangai. O chaveamento das lutas só foi divulgado um dia antes das disputas — sem tempo para estudo aprofundado das adversárias. Amanda estreou contra uma atleta oriental, em combate em que, segundo o treinador, a parte técnica estava pronta, mas o controle emocional não acompanhou.
“A dificuldade foi fazer ela entender que ela estava entre as melhores e que ela era uma das melhores”, disse o Pará. “Quando você entra com dúvida no coração, você mata seu físico junto. É 50% físico, 50% psicológico.”
Amanda não avançou na competição. Mas voltou à Lapa com algo que não se mede em pódio: a consciência de que o nível existe, de que ela chegou lá se classificando, e de que o caminho continua. Ela já tem convocação para o Pan-Americano, previsto para setembro na Argentina. Tem Paranaense em junho, Jogos Abertos do Paraná em julho, e Brasileiro no final do ano. Em abril, completou 17 anos — ainda tem o último ano na categoria juvenil. Quando fizer 18, passa para o adulto.
“Isso foi só o começo”, disse o treinador. “Eu voltei com mais gás, com vontade de trabalhar a base, de formar atletas desde os sete anos. Eu vi os orientais treinando e me reacendeu algo que eu precisava reacender.”
Uma história que a Lapa não pode deixar morrer
Amanda Oliva foi ao Campeonato Mundial porque treinou para isso — e porque a cidade bancou. Essas duas partes da equação são igualmente reais. Uma não substituiu a outra.
O próprio Pará tem planos concretos de ampliar o projeto social da academia para crianças a partir dos sete anos, com o objetivo de criar base de atletas para os próximos anos. Uma emenda destinada ao projeto já chegou com material esportivo — ainda por desembalar, mas chegou.
“Teremos mais atletas no futuro próximo”, disse o treinador, num recado direto aos patrocinadores. “Espero que vocês apoiem o esporte mais ainda.”
A Lapa já sabe que é possível chegar ao mundo. Agora precisa decidir se vai continuar investindo nesse caminho.
Os agradecimentos de Joelson e Amanda aos patrocinadores Máster, Sanepar e Prefeitura Municipal e aos apoiadores Fênix Tintas, Auto Picape Center, Pianostur, Lapavel e Oliva Auto e Center. Além disso também agradecem aos parceiros de todas as horas: Beleza Pura, Grupo KJ, Antoninho Pick-ups, Mauro Motos, Giba Ferragens, Lapa Auto Peças, Ponto 30 e Lapa Diesel.
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